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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CURRÍCULOS DOS CONVIDADOS DO PROSPECTA-2009

JOSÉ FROTA - RN
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José Frota nasceu em São Paulo em 1965. Deixou a cidade em 1990 e fixou residência em San Francisco, CA. Retornando ao Brasil em 2003 fixou residência em Natal, RN. Cursou um ano de Ciências Sociais na PUC São Paulo e um ano de Geografia na USP. Em 1997, concluiu Bacharelado em Geografia pela University of Berkely, CA. Em 2005, fez especialização em Educação Ambiental pelo SENAC, cuja monografia é uma proposta de se trabalhar a linguagem fotográfica como instrumento de expressão e investigação do indivíduo e sua relação com o entorno. Há três anos vem se dedicando exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento de trabalhos autorais em fotografia. Os rastros como metáfora do tempo e da vida marcam as fotos de José Frota. Selecionado com "Espaços Interiores" na II MOSTRA DO PROGRAMA DE FOTOGRAFIA, do Centro Cultural São Paulo/Galeria Olido. Foi selecionado para Residência no Projeto DENcidade - Funarte Conexões (2008). Participou do XI Salao de Ar tes Visuais da Cidade de Natal (2007-2008); além de exposição individual no Itaú Cultural (2007); e das coletivas Prêmio Porto Seguro (2007); II Bienal de Porto Santo - Portugal (2007). Ganhou os prêmios Porto Seguro de Fotografia na categoria Brasil (2007); de seleção pelo projeto Portfolio Itinerante 2007 do Itaú Cultural; e prêmio aquisição no X Salão de Artes Visuais da Cidade de Natal (2006-2007).
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CIVONE MEDEIROS - RN
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Civone é artista performer, curadora, produtora e agitadora cultural e poeta de primeira linha. Sua influência é diretamente atribuída a baluartes da poesia natalense e prefere fazer performances, onde demonstra mais liberdade de expressão poética. Em 2000, Civone promoveu um intercâmbio cultural entre Natal e Viena chamado "A Arte na Esquina do Brasil", o qual surgiu a partir de um texto sobre Guaraci Gabriel. De 97 até 99 foi um período de pré-produção e escolha do elenco de artistas natalenses que iriam fazer uma turnê pela Áustria. Foi uma das integrantes do "Grupo Oxente de Intervenção Ambiental". Atualmente, Civone lançou a coleção Consuma Civone e está na internet com o site Na rede com Civone e o blog Performare, além do blog Virada num traque..
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DANIELA LABRA - RJ
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Daniela Labra (Chilena, 1974) é pesquisadora formada em teoria do teatro e pós-graduada em comunicação e artes pela Universidade Complutense de Madri. Desenvolve pesquisa sobre linguagens híbridas no teatro contemporâneo e nas artes visuais (video-instalações). Colabora com o jornal "Capacete Planet", do Rio de Janeiro, e participou do núcleo de estudos em crítica de arte no Centro de Artes Maria Antônia, da USP, sob a coordenação de Lorenzo Mammi. É curadora independente e pesquisadora em Artes Visuais. Mestra em Artes pelo Instituto de Artes da UNICAMP, Campinas, São Paulo. Realizou os projetos de curadoria Perambulação - Projetos Sobre Espaço Urbano. 2ª Bienal de Arquitetura de Rotterdam (Rotterdam, Holanda, 2004/2005); Verbo (Galeria Vermelho, São Paulo, 2004/2005);Urban Scapes (Galeria DNA, Berlin, Alemanha, 2006); Juha Nenonen e Miklos Gáal (Centro Mariantonia/USP, SP, 2006); Corpo Ausente/Corpo Presente (Galeria Mauá - Chave Mestra. Rio de Jane iro, RJ, 2006) e Fabulosas Desordens (Centro Cultural da Caixa, Rio de Janeiro, 2007). Participa do Conselho Editoral da revista de crítica de arte Número e também do projeto multimídia independente A Revolução Não Será Televisionada.
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EDUARDO VERDERAME - SP
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É cofundador e membro do Coletivo EIA - Experiência Imersiva Ambiental e do Coletivo Esqueleto Coltivo, ambos em atuação em São Paulo e no Brasil. Formado pela Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Como trabalhos individuais participou da II Mostra do Programa de Exposições 2008, Centro Cultural São Paulo. criou a exposição O Fogo do Esquecimento, Casa das Caldeiras, São Paulo. O Primeiro e o Último Vôo, Galeria Favo, São Paulo entre outros. O EIA, Experiência Imersiva Ambiental é hoje um dos coletivos mais artivistas de São Paulo. Desde 2004 o grupo realiza a Semana Imersão na qual artistas de todo o Brasil atuam presencialmente ou não em várias áreas da cidade que são mapeadas pelo grupo. Em 2005 o EIA realizou o SPLAC 2005 - salão independente que usou a ironia para fazer de atos de desobediência civil, arte e cidadania dada a urgência do abuso da publicidade imobiliária no espaço público o co letivo se mobilizou para realizar um ato que surpreendesse a sociedade e as entidades privadas desse setor com relação a tais práticas abusivas.Em março de 2006, o EIA incluiu-se nas dinâmicas dos coletivos em prol da ocupação Prestes Maia, contrários ao despejo das quase 2000 pessoas que lá moravam. O EIA organizou o Baile dos Espantalhos e incendiou de alegria o evento promovido em resistência à decisão judicial. Do Prestes Maia, o EIA também saiu fortalecido como coletivo e iniciou a intensa produção de um novo projeto. O evento foi batizado de Interrogacidade e foi realizado na segunda Virada Cultural em maio de 2006, por meio de um convite do Centro Cultural São Paulo e da Secretaria da Cultura do município. O EIA iniciou 2008 com a convicção de que era necessário repensar o formato de imergir na cidade. Seguir com a mesma dinâmica seria uma clara cristalização de formato, que se cega às potencialidades do encontro criativo entre coletivos e comunidades que dão ao espaço público direções, essências e atribuições que de fato respeitam o presente como espaço de liberdade e reconf igurações inesgotáveis. A opção por se fazer um JOGO surge da percepção de que o mais rico do EIA é a convivência entre pessoas de diversas cidades brasileiras, com as mais variadas trajetórias artísticas, políticas, amorosas e territoriais.
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HENRIQUE JOSÉ - RN
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Repórter Fotográfico, artista multimedia, graduado no Curso Superior de Tecnologia em Lazer e Qualidade de Vida do CEFET/RN; desenvolve várias atividades de educação popular, fotografia e vídeo no Terceiro Setor, é sócio/fundador da ONG ZooN Fotografia, que é uma ONG que tem como motivação a promoção de imagens artísticas e fotojornalísticas, de grupos e de pessoas. Constituída de profissionais experientes, e existe ha mais de dez anos. Henrique ministra diversos cursos e oficinas de fotografia. Foi um dos premiados no II Salão Abraham Palatink.
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JEFFERSON FERNANDES - RN
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Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN. Pesquisa a fotografia como mediador do processo ensino-aprendizagem de pessoas com deficiência visual, tendo como principal interlocutor o Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos do RN (IERC).É professor do Departamento de Educação e dos Programas de Pós-Graduação em Educação e Artes Cênicas da UFRN. Orienta trabalhos em torno do Ensino de Artes, dando ênfase à Fotografia e ao Teatro, vinculados à inclusão escolar.
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FLÁVIA VIVACQUA
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Nascida em São Paulo no ano de 1975, mora e trabalha a partir de São Paulo, Brasil. Artista, curadora e educadora, iniciou seu mestrado em Artes Visuais pela UNICAMP e é formada em Licenciatura em Artes Visuais pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Teve como primeira formação as Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helena, Teatro Escola Macunaima e Scuola Internazionale Dell’attore Commico, na Itália, especializando-se em Teatro de Rua e Mascaras. De 1989 a 1998 realiza trabalhos como atriz e direção teatral. De 1998 a 2002, trabalhou na Rede Municipal de Ensino, pela periferia de São Paulo. Em 2002 iniciou o levantamento de coletivos de arte atuantes no Brasil. Em 2003 tem como iniciativa o CORO - Coletivos em Rede e Organizações (http://www.corocoltivo.org/), agregando uma rede de coletivos de arte e outros diferentes profissionais pelo Brasil. É integrante do coletivo Elefante (http://elefante0.zip.net/). Idealizadora, Curadora e articuladora de diversas iniciativas como o 48horas em 2002, ReverberAções 2004 e 2006, Encontro de Coletivos Chave Mestra(RJ) - 2004, Coletivações – 2005 (projeto de intercambio/Brasil e França), seminário RITMOS DA URGENCIA (Prêmio Cultura e Pensamento 2006), entre outros. Desde 2005 vem realizando palestras e debates sobre arte, cultura e processos coletivos de trabalho e criação. Gerenciou a Galeria Favo em 2005 e 2006, onde realizou curadorias como ECO-LÓGICA. Em 2007 cria a Nexo Cultural para agenciamento e acompanhamento de processos criativos, consultoria e desenvolvimento de projetos culturais, educativos e ecologicos. Integra o Conselho do ‘Interações Florestais’ (http://www.terrauna.org.br/), criando, desenvolvendo e coordenando a Residência Artística na ecovila Terra UNA (Prêmio Conexões 2007). Em 2008, realiza o Educação Gaia - Design em Sustentabilidade, pela UMA PAZ e Globo Ecovillage NetworK, especializando-se em design e assentamentos humanos sustentáveis. Desde 1998 vem realizando exposições de suas performances, intervenções, instalações e fotografias em diversas cidades Brasileiras e no exterior.

sábado, 10 de janeiro de 2009

DA PRODUÇÃO DE ARTE BRASILEIRA ATUAL, POR DANIELA LABRA, UMA DE NOSSAS CONVIDADAS

Daniela Labra, nos oferece uma reflexão sobre o bom momento da arte contemporânea brasileira a partir de um olhar para a nossa própria história dentro da arte, mas sem deixar de aludir aos riscos sutis de uma construção artística globalizada.
Foto ilustrativa
Da produção de arte brasileira atual
Daniela Labra

Reunir numa só mostra sessenta artistas cuja produção está legitimada pelo circuito nacional certamente oferece um panorama amplo da arte brasileira contemporânea, mas dificilmente consegue dar conta da totalidade do que vem sendo produzindo com constância e qualidade no Brasil. Ainda bem. A arte contemporânea brasileira oferece tal diversidade de propostas que, para nosso deleite, não se esgota numa exposição.



A vitalidade dessa produção, nas palavras do crítico Fernando Cocchiaralle se dá hoje graças a “um passado moderno e contemporâneo que poucos países talvez possuam” erigido “na qualidade da obra de muitos artistas das três ou quatro últimas gerações” [1]. Neste passado, de acordo com o crítico, dois marcos constituíram inovação no campo da arte brasileira: o discurso antropofágico (abrasileiramento de tudo o que vem de fora), no final da década de 1920, e as idéias neoconcretas, trinta anos depois, valorizando o que é da ordem do experimental (o processo).



Estes dois marcos apontados por Cocchiaralle são relidos na arte contemporânea brasileira. Nessa situação, a premissa antropofágica de “abrasileiramento do que vem de fora” hoje se coloca como a deglutição de referências estrangeiras para deixar uma proposta brasileira com jeito de mundo, e não o oposto, de acordo com o sentido inicial dado por Oswald de Andrade. No impulso de negar o estereótipo de arte colorida exótica que permanece encoberto pelo eurocêntrico rótulo do multiculturalismo, o abrasileirar tornou-se um movimento que dá à arte brasileira uma cara internacional.



Contudo, ao fugir da condição de colonizado-copista e do estigma que vende a mulata, a bossa nova, as sandálias, a caipirinha, a arte brasileira se arrisca a se tornar estrangeira no processo de globalização que também deglute o que é do outro, colocando tudo num patamar estético que diz respeito a todo lugar e a lugar nenhum. A cultura globalizada pode descaracterizar o que é local e nessa esteira grande parte da nossa produção artística contemporânea cai num espaço de pertencimento internacional cujo matiz estético assemelha-se a uma pasta homogênea.



Se, então, uma homogeneização estética trazida pela globalização também nos atinge, como explicar a vitalidade da produção contemporânea brasileira? O que a diferencia num cenário global quando não se apóia no discurso exótico-nacionalista?



Além dos antecedentes citados que dão uma base teórica e formal para nossa arte, há ainda a máxima vigente de Hélio Oiticica “da adversidade vivemos”, símbolo de uma característica que acompanha o crescimento do país e a sua inserção na economia mundial como um todo. Nossa realidade político-social de nação ‘em desenvolvimento’somada à ausência de uma tradição clássica nas artes é ainda fator importante para destacar a produção brasileira nesse caldo. A situação do Brasil, adversa e não mais ilustrada ao modo do realismo social ou das temáticas folclóricas, está presente nas obras como pulsão criativa, invenção, escárnio e descompromisso com quaisquer cânones dos centros hegemônicos. Nesse cenário, a criação no âmbito do improviso, instalada como modo operante para bem e para mal, ainda perpetua o legado experimental e a “vontade construtiva geral” preconizada por Oiticica. [2]



Acompanhando o movimento de internacionalização da arte brasileira, o meio que a gera e dissemina também sofreu modificações estruturais importantes nas últimas décadas. Ao se abrir para o mundo globalizado, profissionalizou-se um pouco mais, acompanhando a nova geração de artistas, que são muitos, cujas carreiras se iniciaram sob a égide da estabilidade econômica. Estes, podem aprimorar e diversificar sua formação tanto em novos cursos de arte que vêm aparecendo no Brasil como em viagens pelo país e mundo afora. Também podem se conectar a infinitas redes de trabalho e pensamento pela internet ou nos programas de residências artísticas que se multiplicaram pelo planeta na última década.



Todavia, há um descompasso entre esse cenário de possibilidades que produz o artista e a sua arte e a ausência de uma infra-estrutura forte o bastante para absorvê-los e fazê-los circular amplamente. Apesar de uma maior profissionalização das instituições culturais e de um incremento do circuito comercial de galerias, ainda lidamos com a falta de técnicos, com recursos escassos, com poucas publicações, entre outras carências que parecem eternas. Tais problemas fazem da adversidade não um estímulo, mas um entrave incontornável quando o assunto é formação de público. Não podemos esquecer que o país continua sem um museu com uma exposição permanente que reúna significativamente a produção brasileira do século XX e ainda dói a lembrança de que uma das melhores e mais completas coleções particulares de arte concreta e neoconcreta foi vendida para um museu estrangeiro sem que houvesse grande esforço governamental para mantê-la aqui.[3] O vazio que sua exportação futuramente deixará em termos educativos é imensurável, mas não vamos desanimar...



Uma exposição como esta é prova que se vive um momento profícuo nas artes plásticas e que a euforia é grande. Voltemos nossa atenção a ela e celebremos a pujança da arte nacional. Façamos votos para que sua fecundidade contamine e estimule o amadurecimento em todos os níveis institucionais no meio da arte e da cultura brasileiros. Assim, talvez daqui a 10 anos o artista poderá afirmar: Da adversidade viemos, mas nela não vivemos mais!


[1] COCCHIARALLE, Fernando. “Da Adversidade Vivemos”. In. FERREIRA, Glória (Org.). Crítica de Arte no Brasil: Temáticas Contemporâneas. Rio de Janeiro, FUNARTE, 2006.
[2] OITICICA, Hélio. “Esquema Geral da Nova Objetividade”. In: FERREIRA, Glória e COTRIM, Cecília (Orgs.). Escritos de Artistas: anos 60/70. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 2006
[3] O Museu de Belas Artes de Houston (MFAH), nos Estados Unidos, adquiriu a coleção Adolpho Leirner de Arte Concreta Brasileira em março de 2007. A coleção é formada pelos melhores exemplos da abstração geométrica em pinturas, objetos, pôsteres e materiais gráficos produzidos pelos mais importantes artistas brasileiros no pós 2ª guerra.